Doença oftalmológica afeta mais de seis milhões de brasileiros e compromete grande parte da visão
O Brasil tem cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, em torno de 3,5% da população brasileira, conforme aponta pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010. Dessas, aproximadamente 520 mil são cegas e as demais têm baixa visão, ou seja, possuem grande dificuldade em enxergar.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), essa condição ainda não é considerada como cegueira, já que as pessoas cegas apresentam capacidade visual igual ou menor a 0,05% no melhor olho após realizar todos os procedimentos clínicos indicados.
O oftalmologista do Horp, Jorge Dias, explica que os pacientes com Baixa Visão têm de 5% a 30% de visão em seu melhor olho, mesmo com intervenções cirúrgicas ou uso de óculos de grau. “Não é cegueira, a pessoa tem respostas visuais, mas é uma visão muito comprometida. Por isso, principalmente as crianças em idade escolar são as que mais sofrem com esse problema e, muitas vezes, por falta de conhecimento ou orientação, deixam de potencializar o seu resíduo visual com recursos óticos, como lentes de contato, óculos e lupas”, explica.
Esse foi o caso do Fernando Ribeiro, gerente de uma das maiores lojas de rede de eletrodomésticos e móveis do País, que apresentou os primeiros sinais da doença aos seis anos, na sala de aula. “Não conseguia enxergar a matéria que estava na lousa, via tudo embaçado, mesmo sentando na primeira carteira”.
Com 80% da visão comprometida, ele conta que também foi diagnosticado com astigmatismo, micromiopia e miopia. “Já nasci com baixa visão, mas só comecei a perceber que tinha dificuldade para enxergar ao frequentar a escola. A minha mãe também tinha o mesmo problema e, provavelmente, eu herdei dela”, comenta Fernando. “Faço o uso de lentes de contato e óculos de grau para amenizar os outros problemas de visão”.
De acordo com o especialista, as causas geralmente são congênitas, quando a enfermidade tem origem familiar e a criança já nasce com ela, ou adquiridas, em que é provocada por outras doenças, como diabetes, glaucoma, catarata, entre outras. “O diagnóstico é feito por meio de exame oftalmológico para identificar qual a doença levou o paciente a essa condição e avaliar quais os recursos ópticos e não ópticos indicados para que ele tenha qualidade de vida e leve um dia a dia normal”, finaliza Jorge Dias.

