Ceratocone deforma a córnea e é a principal causa de transplantes do órgão no país
O mês de junho é dedicado à campanha mundial de conscientização contra a ceratocone, uma doença que deforma a córnea e pode ser causada pela simples ação de coçar os olhos. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 20% dos transplantes de córnea são realizados por causa dessa doença.
Para o oftalmologista do Hospital do Olho Rio Preto (Horp), Jorge Dias, o movimento “Junho Violeta” é uma das formas de alertar a população sobre a gravidade de esfregar ou coçar os olhos. “Existem inúmeros fatores que podem contribuir para o desenvolvimento de ceratocone. Pessoas com histórico familiar da doença, por exemplo, têm 50% a mais de chances, bem como portadores de alergias que tendem a coçar os olhos com mais frequência”, explica.
Segundo o especialista, a doença se manifesta principalmente entre 10 e 25 anos e, geralmente, progride mais durante a adolescência. “A maioria dos pacientes são adolescentes que chegam ao consultório se queixando da dificuldade de enxergar a lousa na sala de aula. A melhor forma de prevenir que a doença chegue a estágios mais avançados, precisando de transplante e cirurgia de anel intraocular, é com o diagnóstico precoce”, diz.
No caso da Michelle do Carmo, moradora de Barretos (SP), que trabalha como babá, a falta de precisão no diagnóstico e o tratamento tardio resultaram no avanço significativo da doença. Ela conta que, aos 14 anos, sentia dificuldade de enxergar na escola porque já estava com a visão bastante prejudicada. “O médico da minha cidade achou que era um simples problema de visão, não fez exames e receitou uma lente de contato para corrigir o grau. Mas a minha córnea estava tão deformada por causa da ceratocone, que a lente não fixava no meu olho”.
Somente após consultar outro especialista e receber o diagnóstico correto, Michelle pode iniciar o tratamento adequado. “Como a doença já estava em estágio avançado, em um olho foi necessário fazer o transplante de córnea e, no outro, a cirurgia de anel”.
De acordo Jorge Dias, o implante de anel é indicado, principalmente, aos pacientes intolerantes a lentes de contato ou que estão com a córnea muito distorcida. Já a cirurgia é indicada quando não há mais nenhuma solução eficaz para tratar a doença. “O transplante nem sempre consegue resolver totalmente o problema, já que a eficácia da cirurgia é de 90%”, explica Jorge. “O maior obstáculo é a falta de informação, já que muitos pacientes ainda desconhecem a doença. Quando há chance de começar o tratamento no início, conseguimos evitar o transplante”, finaliza.

